Quase todo pedido chega já com uma solução embutida: “preciso de um aplicativo”, “quero um site novo”, “precisamos de um sistema”. É natural. A solução é a parte visível, aquilo que se consegue imaginar.

O problema é que a solução pedida nem sempre é a solução necessária.

O pedido e o problema

Imagine uma empresa que pede um aplicativo para os clientes acompanharem pedidos. Ao conversar, descobre-se que a maioria das dúvidas dos clientes é sempre a mesma: “o meu pedido já saiu?”. A equipe passa horas por dia respondendo mensagens com essa informação.

Um aplicativo resolveria isso. Mas uma notificação automática enviada no momento em que o pedido sai também resolveria, com uma fração do custo e sem obrigar ninguém a instalar nada.

Nenhuma das opções está errada. A diferença está em escolher depois de entender o problema, e não antes.

As perguntas que fazemos sempre

Antes de propor qualquer coisa, procuramos responder a quatro perguntas:

  1. Qual é o problema que precisa ser resolvido? Não a solução, o problema.
  2. Quem vai usar o resultado? E em que contexto: no celular, no balcão, com pressa?
  3. Como saberemos que funcionou? Menos mensagens, mais vendas, menos erros, menos tempo gasto.
  4. O que acontece daqui a um ano? O que precisa crescer, mudar ou integrar-se com outras coisas.

As respostas raramente são óbvias na primeira conversa. E é precisamente por isso que vale a pena fazê-las.

Tecnologia é o meio

Gostamos de tecnologia. Escolher a arquitetura certa, a ferramenta adequada, o detalhe que torna tudo mais rápido: isso faz parte do nosso trabalho e do nosso prazer em fazê-lo.

Mas a tecnologia é o meio. O fim é um negócio que funciona melhor, comunica com mais clareza ou chega a mais pessoas. Quando essa ordem é respeitada, a tecnologia deixa de ser um custo e passa a ser um investimento com retorno visível.